Ato de Fé

A virtude teologal da fé, infundida livremente (cf. Ef 2, 8) por Deus em nossas almas no dia do nosso Batismo, opera em nós como princípio de vida eterna, que está reservada aos que, tendo perseverado até o fim, forem admitidos à glória do Céu; a fé, nesse sentido, é um dom semeado em nossos corações como uma pequena semente de vida que, como tal, precisa ser continuamente cultivada, a fim de tornar-se aquele arbusto, maior do que todas as hortaliças, em cujos ramos as aves do céu podem vir aninhar-se (cf. Mt 13, 31s; Mc 4, 30ss). Tomada da parábola do grão de mostarda, esta singela imagem evangélica põe de manifesto que, para vivermos em plenitude nossa vocação de filhos de Deus, membros de Cristo e da Igreja (cf. Ef 3, 17; 4, 4s), não nos basta ter fé, senão que é imprescindível vivermos de fé [1], como diz o Apóstolo (cf. Rm 1, 17; Hab 2, 4); daí, pois, a necessidade de integrarmos em nossa vida espiritual a prática constante do chamado ato de fé.

A importância deste ponto talvez fique mais clara se tivermos em mente as seguintes palavras dirigidas a Pedro, depois de ele ter confessado que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus vivo: “Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas o meu Pai, que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 17s). Além de dirigir-se especificamente ao príncipe dos Apóstolos enquanto fundamento visível da Igreja, aqui Jesus também nos declara a todos que é pelo ato de fé que a mesma Igreja se vai edificando, pois é por meio dele que nos incorporamos a Cristo e ao seu Corpo Místico cada vez mais intimamente. Princípio de justificação e raiz de toda santidade, a fé nos é concedida como virtude e, por essa razão, só poderá desenvolver-se, amadurecer e alimentar nosso espírito se for efetivamente exercitada numa vida de oração e de meditação das verdades reveladas.